Estudar redação pra quê? (Em 20/06/2012)

guiadicas.net


Quem disse que, para fazer redação, não
é preciso estudar?


       Quantos de nós, professores de redação, não ouvimos de muitos de nossos alunos a frase: “Pra fazer redação, não precisa estudar. Tem que tá inspirado.”?
       E quantos de vocês, alunos, já não a disseram, ou mesmo apenas concordaram com ela? Esse é mais um dos muitos mitos acerca da “divina arte de escrever”, porque é isto mesmo que parece: apenas os “iluminados com o sopro divino” são capazes de produzir textos bem escritos.
       Bobagem! Escrever realmente não é algo que se aprenda da noite para o dia; exige uma série de habilidades que parecem inatingíveis aos não familiarizados com elas, mas, uma vez aprendida e aplicada a técnica, a tarefa de escrever deixa de ser um obstáculo intransponível e se transforma num exercício prazeroso.

       Então, o que fazer? Qual o segredo para ser bem-sucedido na empreitada de produção de um texto?
       Bom, primeiramente é preciso estar receptivo às orientações do especialista (no caso, o professor de português), ou seja, ouvi-las, compreendê-las e, muito importante dizer, aceitá-las. Afinal, não há ninguém mais indicado para orientá-lo nessa missão do que o professor de português, pois presume-se que ele tenha conhecimento e experiência suficientes para ajudá-lo a superar suas dificuldades.

       Mas de nada adianta tanto empenho do orientador se o maior interessado, VOCÊ, não se dedica, isto é, não busca aplicar as observações feitas com relação ao seu texto. É claro que, quanto maior a sua dificuldade, maior terá de ser a sua dedicação. Não há como ser diferente. Mas, de qualquer forma, em qualquer caso é possível chegar ao resultado desejado. Só depende de VOCÊ!

       Prova disso é o resultado obtido pelo Suboficial BMA Sérgio Ricardo de Souza Pereira, que, solicitando a orientação do Letras para se preparar para o concurso do EAOF 2012, em cujo exame exige-se Redação, obteve grau 10, o que acabou classificando-o em 1º lugar na sua especialidade.

       Ao todo, ele produziu seis redações, sendo que, em cada uma delas, fizemos as correções gramaticais e estilísticas, acompanhadas de observações, sugestões e dicas.

       Para esta postagem, no entanto, colocaremos apenas as duas primeiras redações entregues, a última e a redação do exame do EAOF.

promilitar.com.br


Redação entregue em 06/02/2012


Polícia Federal e preservação do direito à vida:
garantia constitucional

       A Constituição Brasileira de 1987, Carta Magna que rege a vida de nossos cidadãos, traz uma série de garantias, direitos e deveres extensivos a todos que vivem em nosso país.
       Nesse contexto, entre os vários órgãos governamentais destinados a fazer cumprir a Constituição, encontramos a Polícia Federal, órgão subordinado ao Ministério da Justiça que possui funções relativas à segurança, complementando o vácuo de atribuições destinadas às Forças Armadas Brasileiras e às Polícias Militares e Civis dos demais entes federativos. (?)
       Cabe à Polícia Federal, dentro dos limites territoriais brasileiros, exercer vigilância e poder policial em ações contra: tráfico de entorpecentes, crimes financeiros, contrabando de armas, entre outros. Mas todas visando, de certo modo, a proteger a vida dos cidadãos. Isso pode ser confirmado quando vemos, nos postos fronteiriços, já que o Brasil tem seus limites, ou melhor, faz fronteiras com vários países, a Polícia Federal prendendo elementos que fazem tráfico de órgãos humanos, quando não dos próprios seres, evitando que vidas sejam aqui ceifadas, ou vendidas ao exterior, de forma trágica e atendendo a um dos direitos fundamentais: o direito à vida.
       Recentemente, noticiou-se que esse braço da Justiça brasileira (sem vírgula) logrou desmontar um esquema de tráfico de mulheres para a Europa, prendendo os donos de uma empresa que as recrutavam com promessas de emprego no exterior, sendo que na verdade elas seriam usadas como escravas sexuais, melhor dizendo, prostitutas.
       Conclui-se, com base no fato exposto, que a Polícia Federal tem uma missão importantíssima no que diz respeito à preservação do direito à vida. Toda e qualquer ação feita com esse intuito deve ser incentivada e apoiada pelo Governo e por nós, cidadãos brasileiros.


Comentários sobre a redação - 07/02/12


       Primeiramente, gostaríamos de parabenizá-lo pelo seu empenho, pois já produziu, de uma só vez, duas redações! É isso aí! Quanto mais texto você escrever, mais prática você terá e, consequentemente, mais fácil se tornará para você a tarefa de redigir, que tanto assusta os candidatos de concurso.

       Faremos as observações em tópicos para facilitar a compreensão. Qualquer dúvida, por favor, nos pergunte.

* Quanto à abordagem do tema, que é, na verdade, o primeiro aspecto com que você deve se preocupar ao iniciar uma redação, está tudo bem. Você manteve-se dentro da ideia principal, desenvolvendo argumentos pertinentes e relevantes.
* A linguagem está clara, com poucos desvios gramaticais.
* Quanto aos parágrafos, no entanto, alguns detalhes devem ser observados. O primeiro parágrafo, que é o da introdução, apresenta apenas um período. (Período, é importante que você saiba, pois, daqui para frente, usaremos bastante esse termo, é a frase que se estende da letra maiúscula até ao ponto final, à interrogação, à exclamação, ou às reticências). É aconselhável que os parágrafos tenham, em média, três períodos: o primeiro, que é o tópico frasal, deve conter a ideia principal a ser desenvolvida naquele parágrafo; o segundo é o desenvolvimento do tópico frasal, que pode ser um comentário desmembrando em ideias secundárias o que foi exposto no tópico frasal; o terceiro é a conclusão, que, em geral, corresponde a uma declaração, reforçando o tópico frasal.

       No caso do seu texto, por exemplo, você fez o tópico frasal. Falta, portanto, o desenvolvimento, em que você poderia citar algumas das garantias, dos direitos e deveres que, conforme você afirma, a Carta Magna traz e, por fim, no último período, enfocar o direito à vida, que é o tema a ser analisado.

       O segundo parágrafo apresenta apenas um período, de seis linhas. A moderna técnica redacional orienta que um período deve girar em torno de três linhas. Períodos com esse número de linhas apresentam a vantagem de proporcionar uma leitura mais agradável e auxiliam o redator quanto à objetividade de cada tópico tratado. Assim, sugerimos que você transforme esse período de seis linhas em dois, por exemplo. Você poderia reestruturá-lo, iniciando-o com o assunto “direito à vida” (último assunto do parágrafo anterior), para estabelecer uma coesão, ou seja, um gancho com o parágrafo da introdução, e daí relacioná-lo com a Polícia Federal, unindo, num só parágrafo, o segundo e o terceiro parágrafos do seu texto. Mas, veja bem, para isso você precisaria reescrever o segundo e o terceiro parágrafos do seu texto, transformando-os num só, com três períodos.

       O terceiro parágrafo possui dois períodos, sendo que o segundo (Isso pode (...) o direito à vida.) é formado por sete linhas. Tendo por base o que já foi comentado, tente reescrevê-lo, adequando-o às orientações feitas.

       O quarto parágrafo também apresenta um só período de cinco linhas, que parece ser uma extensão do parágrafo anterior. Ou você tenta incluir essa ideia no parágrafo anterior, que já deverá ser reescrito, ou você cria um tópico frasal para ele.

       O último parágrafo, embora tenha dois períodos, está bom, pois, no primeiro período, você faz uma afirmação embasada nos argumentos expostos, e no segundo, uma observação pessoal. Como sugerimos que você acrescente ideias ao primeiro parágrafo, seria interessante que as reforçasse no último, já que, de acordo com o esquema básico de dissertação, o parágrafo da conclusão faz uma retomada da ideia exposta no da introdução.

       E, por falar em esquema básico de dissertação, vão aí mais algumas dicas:

* Se você não conhece o esquema básico de dissertação, seria bastante interessante que o fizesse, pois ele auxilia o produtor de texto na organização das ideias, ajudando-o a manter-se fiel à abordagem do tema e orientando-o na estruturação dos parágrafos, a fim de que o texto apresente informatividade (conteúdo) e fluência de ideias. Sobre esse assunto, leia no letraseeartes.blogspot.com, na coluna Dissertação, as postagens “A elaboração do texto dissertativo”, “O que deve conter a introdução” e “A elaboração do texto dissertativo (final)”. Elas tratam justamente do que comentamos aqui, com exemplos e explicações mais esmiuçadas. Os aspectos redacionais tratados aqui foram “parágrafo padrão”, “esquema básico de dissertação” e “estruturação de períodos”.


integria.com.br


Redação entregue em 06/02/12


Título?

       O ato de viver em sociedade requer, basicamente, uma observação de comportamento, atitudes e posturas, para posteriormente se formar um conceito e se desenvolver um padrão de aceitação dentro dela.
       Assim, quando voltamos os nossos olhares à nação brasileira, sempre encontramos, num primeiro momento, sinais de que somos um povo alegre, cordial, perseverante e trabalhador.
       Porém, ao realizarmos um exame mais detalhado, encontraremos maus exemplos que revelam, também, (não há necessidade das vírgulas para intercalar o termo “também”) um povo triste, egoísta, inconstante e preguiçoso. E pergunta-se: por que somos assim? A resposta, frequentemente, vem conectada aos constantes escândalos dos nossos governantes, envolvendo evasão de divisas e desperdício de dinheiro público.
       No entanto, baseado em pesquisas e experiências que têm sido realizadas globalmente, identificamos que não só os governantes têm sua parcela de culpa, mas toda a sociedade (sem vírgula) deve assumir a sua parte de responsabilidade, ou leviandade, se podemos assim dizer, diante desse cenário.
       Quando analisamos, por exemplo, a situação de um grande empresário do ramo da construção que ganha lucros com contratos ilícitos junto aos órgãos públicos, não só os governantes devem ser acusados, mas também esse tipo de cidadão, em geral pai de família, que não se preocupa em repassar valores éticos, morais e sociais aos seus dependentes, contribuindo (sem acento agudo) para uma sociedade mais justa, igualitária e sustentável.
       Dessa forma, pode-se inferir que cabe à célula “mater” (sem acento e entre aspas, pois está em latim) da sociedade (em vez de “associação”) humana, a família, trabalhar em prol da preservação e perpetuação de valores que reflitam em uma sociedade mais segura, com melhor distribuição de renda, que respeite os seus indivíduos e o meio ambiente e que seja temente a Deus.


Comentários sobre a redação - 07/02/12


       As observações referentes à redação anterior no que se refere à estruturação dos parágrafos e dos períodos valem também para todos os parágrafos dessa segunda redação. Ou seja, os parágrafos apresentam apenas um período, com mais de três linhas. É preciso reescrevê-los, procurando dividi-los em três períodos de três linhas cada um, certo?

       Além disso, apontamos as seguintes sinalizações:

* No primeiro parágrafo, as ideias estão vagas. Primeiro, porque, sendo o parágrafo da introdução, ele já deve conter as palavras-chave que aparecem no tema (sociedade, governantes, cidadãos, elites, retrato, Brasil). Você cita “observação de comportamentos, atitudes e posturas” (De quem com relação a quem? Não está claro.). Depois afirma “formar um conceito”. Conceito de quê? Talvez o emprego de pronomes e de sujeitos explícitos deixe as ideias um pouco mais claras para o leitor. Por exemplo: O ato de viver em sociedade requer, basicamente, que se observem comportamentos, atitudes e posturas das pessoas com as quais se convive para que se possa formar um conceito de vida em sociedade e assim se possa desenvolver um padrão social que seja aceito pela maioria.

* Ao passarmos para o segundo parágrafo, há uma ruptura brusca de pensamento. A ideia central do primeiro parágrafo é “o ato de viver em sociedade”, ou seja, ideia genérica que se aplica a toda e qualquer nação. De repente, o segundo parágrafo enfoca a sociedade brasileira sem mesmo se ter desenvolvido o que seria o tópico frasal do primeiro parágrafo. Lembre-se: você deve sempre procurar relacionar o que você disse antes com o que você vai dizer depois.

* Outra observação é quanto ao emprego de duas adversativas (porém e no entanto) iniciando dois parágrafos consecutivos (terceiro e quarto parágrafos). Não se devem fazer dois parágrafos consecutivos que se iniciem com o mesmo tipo de conjunção. Procure reescrever o quarto parágrafo de modo que não seja necessário o emprego desse conectivo.

* O quinto parágrafo, na verdade, corresponde ao desenvolvimento do quarto, pois é uma exemplificação do que foi dito anteriormente.

* O último parágrafo apresenta como conclusão uma ideia que não foi analisada na argumentação e que, portanto, não pode funcionar como uma dedução lógica: “... pode-se inferir que cabe à célula 'mater' da sociedade humana (...) trabalhar em prol da preservação...”. Essa ideia poderia aparecer na conclusão a título de observação pessoal e não como foi colocada.

* No que se refere à abordagem do tema, o principal a ser discutido era o fato de que os brasileiros no geral costumam atribuir a razão de todos os seus males às atitudes dos governantes, mas a questão não é bem assim. Os cidadãos, em especial as elites, também adotam comportamentos que acabam moldando o perfil de todo o país, de todos os cidadãos brasileiros, que, por sua vez, reproduzem esse comportamento.

Bom estudo!


embaixada-portugal-brasil.blogspot.com



Redação entregue em 08/03/2012


FUVEST 

       Recentemente, o Deputado Federal Aldo Rebelo (PC do B - SP), visando proteger a identidade cultural da língua portuguesa, apresentou um projeto de lei que prevê sanções contra o emprego abusivo de estrangeirismos. Mais que isso, declarou o Deputado, interessa-lhe incentivar a criação de um "Movimento Nacional de Defesa da Língua Portuguesa".

       Leia alguns dos argumentos que ele apresenta para justificar o projeto, bem como os textos subseqüentes, relacionados ao mesmo tema.

"A História nos ensina que uma das formas de dominação de um povo sobre outro se dá pela imposição da língua. (...)" "...estamos a assistir a uma verdadeira descaracterização da Língua Portuguesa, tal a invasão indiscriminada e desnecessária de estrangeirismos - como 'holding', 'recall', 'franchise', 'coffee-break', 'self-service' - (...). E isso vem ocorrendo com voracidade e rapidez tão espantosas que não é exagero supor que estamos na iminência de comprometer, quem sabe até truncar, a comunicação oral e escrita com o nosso homem simples do campo, não afeito às palavras e expressões importadas, em geral do inglês norte-americano, que dominam o nosso cotidiano (...)" "Como explicar esse fenômeno indesejável, ameaçador de um dos elementos mais vitais do nosso patrimônio cultural - a língua materna -, que vem ocorrendo com intensidade crescente ao longo dos últimos 10 a 20 anos? (...)" "Parece-me que é chegado o momento de romper com tamanha complacência cultural, e, assim, conscientizar a nação de que é preciso agir em prol da língua pátria, mas sem xenofobismo ou intolerância de nenhuma espécie. (...)"
(Dep. Fed. Aldo Rebelo, 1999)

"Na realidade, o problema do empréstimo lingüístico não se resolve com atitudes reacionárias, com estabelecer barreiras ou cordões de isolamento à entrada de palavras e expressões de outros idiomas. Resolve-se com o dinamismo cultural, com o gênio inventivo do povo. Povo que não forja cultura dispensa-se de criar palavras com energia irradiadora e tem de conformar-se, queiram ou não queiram os seus gramáticos, à condição de mero usuário de criações alheias."
(Celso Cunha, 1968)

"Um país como a Alemanha, menos vulnerável à influência da colonização da língua inglesa, discute hoje uma reforma ortográfica para 'germanizar' expressões estrangeiras, o que já é regra na França. O risco de se cair no nacionalismo tosco e na xenofobia é evidente. Não é preciso, porém, agir como Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, que queria transformar o tupi em língua oficial do Brasil para recuperar o instinto de nacionalidade. No Brasil de hoje já seria um avanço se as pessoas passassem a usar, entre outros exemplos, a palavra 'entrega' em vez de 'delivery'."
(Folha de S. Paulo, 20/10/98)

       Levando em conta as idéias presentes nos três textos, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, expondo o que você pensa sobre essa iniciativa do Deputado e as questões que ela envolve.

       Apresente argumentos que dêem sustentação ao ponto de vista que você adotou.


A Defesa da Língua Portuguesa como identidade cultural


       Ao longo da evolução humana, observamos que, por meio da imposição de uma língua, uma nação pode exercer domínio sobre outra. Essa força, que reside em um idioma, tem ainda o papel fundamental de representar a expressão cultural, o meio de comunicação e a identidade cultural de um povo. Assim, defendê-la e preservar o seu uso dentro de um país é dever de todos, em especial do Estado, o que no caso do Brasil é fato, já que alguns políticos têm demonstrado preocupação com a preservação da Língua Portuguesa como língua materna.
       Conforme acusa o Deputado Federal Aldo Rebelo, o uso abusivo de estrangeirismos em nosso idioma tem aumentado velozmente, descaracterizando-a como língua materna. De forma excessiva, e muitas vezes desnecessária, as palavras de outros idiomas, em especial do inglês norte-americano, são aplicadas em nosso cotidiano. Prova disso é que preferimos usar o termo “email” à mensagem eletrônica. Ainda, o Deputado Rebelo acredita que essa invasão na nossa comunicação oral e escrita possa dificultar, por exemplo, a interação com o homem do campo, podendo fazer com que ele se sinta inferiorizado culturalmente. Para combater essa situação ameaçadora, o Deputado tem incentivado a criação de um movimento nacional em defesa da Língua Portuguesa, mas sem carregá-lo de xenofobismo ou intolerância.
       Porém, alguns estudiosos alertam para o fato de que só aplicar proibições, criar barreiras ou reagir radicalmente a essa invasão não é adequado. Se não houver uma diversificação cultural que estimule o lado criativo e inventivo do nosso povo, continuaremos sendo meros copiadores de modismos. Ou seja, é preciso motivar o brasileiro a ter um comportamento cultural próprio, desenvolvedor de idéias que sirvam por veículo disseminador da nossa língua materna. Seria um bloqueio natural ao estrangeirismo.
       A criação de um movimento como o proposto pelo Deputado deve considerar os aspectos positivos e negativos que encontramos em países como Alemanha e França, os quais contam com dispositivos que favorecem por um lado, de forma positiva, o uso do idioma materno, mas, negativamente, trazem sentimentos de nacionalismo exacerbado. Esse lado negativo das medidas deve ser evitado, pois pode implicar (sem a preposição “em”) dificuldades nas relações políticas e econômicas entre os países do mundo inteiro.
       Por fim, podemos dizer que agir em prol da defesa da Língua Portuguesa, seja por meio de leis ou movimentos nacionais, é valioso na medida em que a reconhecemos como identidade cultural e instrumento de comunicação fundamental entre o nosso povo. Devemos usá-la, não como um instrumento de domínio, mas a favor da integração e comunhão com outros povos.


Comentários sobre a Parte III - 08/03/2012


       Mais uma vez, é preciso atentar para o que o tema está propondo que se discuta: “redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, expondo o que você pensa sobre essa iniciativa do Deputado e as questões que ela envolve”.

       Os trechos destacados em azul tão somente reportam o posicionamento do Deputado e de alguns estudiosos, o que, diga-se de passagem, já estava escrito no tema, de modo que não há nada de novo no que você disse nesses trechos. Você apenas repetiu o que o tema já havia fornecido. Levar em conta as ideias presentes nos textos do tema não significa reproduzi-las novamente, mas sim refletir a partir delas para posicionar-se com relação ao que foi proposto no tema, a saber, o que VOCÊ pensa a respeito da iniciativa do Deputado.

       Possíveis posicionamentos: 1- Trata-se de uma iniciativa interessante porém inviável, uma vez que, assim como o próprio gramático Celso Cunha explica, não há como se evitarem os empréstimos linguísticos entre as línguas; 2- Sendo o idioma pátrio uma das formas de se garantir a identidade nacional, qualquer iniciativa que objetive preservá-lo de influências de estrangeirismos, como a elaborada pelo Deputado Aldo Rebelo, é válida; 3- A iniciativa do Deputado Rebelo, além de xenofóbica, é inócua, pois revela desconhecimento das inúmeras contribuições de outras línguas - como o francês, o árabe, o japonês, o italiano e o próprio inglês - à Língua Portuguesa como a conhecemos hoje; 5- A iniciativa do Deputado é necessária, pois é uma forma de incentivar o patriotismo entre os cidadãos brasileiros através do conhecimento e da valorização do idioma nacional, e assim por diante.

       Na verdade, há um esboço de posicionamento nos dois últimos parágrafos. Evidentemente que você fez uma dissertação, mas, assim como na redação anterior, a pertinência ao tema proposto bem como a informatividade ficaram comprometidas por conta da falta de um posicionamento com relação à iniciativa do deputado desde o início do texto. Tente seguir o esquema básico de dissertação trabalhado nos textos do blog. Ao todo, a redação deve ter cinco parágrafos. No primeiro, que corresponde à introdução, já deixe clara a tese, ou seja, o seu posicionamento com relação ao que foi pedido e cite três argumentos que o defendam. Nos três parágrafos seguintes, desenvolva os argumentos, um em cada parágrafo. E no quinto e último parágrafo, que é o da conclusão, faça uma retomada da tese inicial e acrescente um comentário final.

       No mais - linguagem, paragrafação e aspectos gramaticais -, seu texto está muito bom.

       Segue a pontuação, conforme você pediu:

PARTE I - 3 erros (Parabéns!) = 0,60

PARTE II - Sem desconto

PARTE III - 1,00

MÉDIA FINAL = 10 - (0,60 + 1,00) = 8,40

       Na nossa opinião, você tem grandes chances de obter uma média boa de redação no exame.

        Seguem abaixo o tema do Concurso do EAOF 2012 e a Redação do SO BMA SÉRGIO RICARDO DE SOUZA PEREIRA.







LetrasEEARtes: porque seriedade é o nosso lema!