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Viver para comer? Não! Comer para viver! - Em 10/09/14



Monica Beyruti e Alfredo Halpern
O que é comer bem?

Alimentação saudável não é só para obter o corpo sonhado no verão. O importante é aprender a comer para o resto da vida.
Alfredo Halpern e Mônica Beyruti

O alimento é uma necessidade básica. Somos o que comemos. O alimento é também, na atual sociedade, um objeto de consumo. Ele nos dá prazer, mas também causa ansiedade porque pode nos fazer engordar. É notório que uma boa alimentação é fundamental para se obter muito mais do que apenas um corpo esbelto; ela é um meio para se adquirir saúde e bem-estar. O que, no entanto, muitas pessoas fazem para conseguir alcançar esse objetivo é seguir dietas de moda que prometem reduções de peso miraculosas, dietas extremamente restritivas com efeito a jato. Isso pode levar a sérias consequências para nosso organismo.
Precisamos acabar com o conceito de que, para se obter um físico saudável, é importante passar fome, quando um dos maiores prazeres da vida é comer bem, poder aproveitar um churrasco ou mesmo uma saborosa feijoada acompanhada de uma caipirinha. As pessoas se esquecem de que o ato de se alimentar bem vai muito além de um simples prato de comida colorido que siga as teorias da nutrição que ensinam como misturar carboidratos, proteínas, fibras, vitaminas, minerais e gorduras. Mas é preciso lembrar que a isso se deve unir prazer e satisfação, adequando-se às diversas situações do dia-a-dia .
A educação nutricional prevê que o hábito alimentar ideal seja seguido por toda a vida, e não apenas até se alcançar o corpo sonhado para entrar no biquíni no verão. É inadmissível que se passe a vida inteira só comendo folhas. No nosso entender, a palavra regime deve ser abolida no que concerne à alimentação.
Regime não funciona, porque é sinônimo de privação extrema e de temporalidade. O importante é aprender a comer para o resto da vida! Comer bem é comer de tudo um pouco, encontrar harmonia entre quantidade e qualidade, podendo preencher satisfatoriamente as necessidades biológicas de nutrientes, bem como as psicológicas e sociais ligadas à alimentação. A nutrição deve ser vista como um caminho para melhorar sua qualidade de vida e não como um bem necessário à saúde, felicidade e realização.
Assim sendo, comer bem significa ter prazer em se alimentar e, ao mesmo tempo, satisfazer as necessidades do organismo para viver mais e melhor. O que significa isso? Em poucas palavras: coma pouca gordura; dê preferência aos óleos vegetais; abuse de verduras, legumes, frutas e tome pelo menos dois litros de água por dia.
Prefira as carnes brancas e consuma laticínios e derivados magros. Mexa-se! Inclua em seu cardápio alimentos funcionais, ou seja, alimentos que além da função de nutrir exercem uma segunda função benéfica ao organismo, como peixes ricos em ômega-3 (exemplo: salmão), tomate e cenoura (licopeno e betacaroteno), nozes, castanhas etc., mas beba também, de vez em quando, um bom copo de vinho tinto, e saúde!

Alfredo Halpern, endocrinologista e professor livre-docente da Faculdade de Medicina de São Paulo, é autor dos livros Pontos para o Gordo e Desta vez Eu Emagreço. Mônica Beyruti é nutricionista da Clínica Alfredo Halpern.


Artigo publicado na revista ISTOÉ Gente (http://www.terra.com.br/istoegente/181/saude/index.htm), em 20/01/03, cedido gentilmente pelos autores.

Fique atento às dicas do Jornalista William Silva - Em 10/09/14

      William Silva, paraense de Belém, Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal do Pará, com 30 anos de profissão. Editor Executivo do jornal DIÁRIO DO PARÁ desde abril de 2004. Editor do Caderno de Polícia do DIÁRIO DO PARÁ. Colunista da REVISTA TDB do DIÁRIO (Coluna Fique Atento). Trabalhou como repórter e editor nos grandes jornais de Belém. Chefiou o Núcleo de Imprensa da Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Belém e a Coordenadoria de Comunicação Social do SEBRAE/Pará. Trabalhou como Chefe de Reportagem e Editor da TV Record Belém. Atualmente chefia a Assessoria de Comunicação Social do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Pará. Atuou como diretor de Comunicação da Agremiação Carnavalesca A Grande Família. Autor do livro alternativo de poesias Sangria e participante fundador do movimento poético Fundo de Gaveta, tendo participado como escritor convidado da XVI Feira Pan-Amazônica do Livro.


 Seja elegante e não "fure" a fila*

    Imagine se todo mundo resolver não respeitar mais as regras preestabelecidas pelo bom senso e tentar levar vantagem em tudo e de forma desleal. Estará formada uma grande confusão com prejuízos para todos. Por isso é importante que os direitos de cada um sejam respeitados. São várias as situações em que presenciamos, com indignação, pessoas menos esclarecidas agirem como se fossem as únicas no mundo que tivessem direitos. A mais comum dessas situações ocorre quando há a necessidade de formação de fila para pagar ou receber alguma coisa. Leia e reflita sobre as considerações abaixo.
 
1 – Não importa o motivo, se você não respeita a ordem de chegada de quem está na fila, você está dando uma demonstração de grosseria, de deselegância. Usar o “jeitinho brasileiro” para “furar” a fila é ignorar o direito das outras pessoas e demonstra seu desprezo por elas. Não esqueça: quem chegou antes tem a preferência. 
 
2 – O mesmo se aplica à fila do self-service. É preciso exercitar um pouco de paciência e esperar quem está na frente escolher com calma o que vai comer, em vez de ficar empurrando com o cotovelo ou ficar passando por trás esbarrando em quem está na fila. 
 
3 – É importante discernir quando a fila é exclusiva ou preferencial para idosos, gestantes e portadores de deficiência. Se for exclusiva, só entre nela se estiver vazia e com a anuência do caixa. Se a fila for preferencial, não deixe de ceder a vez sempre que chegar alguém com as características para as quais a fila foi reservada. 
 
4 – Se você tiver direito à fila preferencial e, quando chegar ao local, outras pessoas sem essas características estiverem aguardando para serem atendidas, faça valer seu direito, mas não custa nada ser simpático e pedir licença, por uma questão de educação. 
 
5 – Se você está na fila para ser atendido e aguarda alguém que está para chegar, é de bom tom avisar sobre essa situação a pessoa que chegou imediatamente após você. Por outro lado, é inadmissível acolher, em sua vaga, pessoas conhecidas que chegam ao local e o encontram por acaso. É uma falta de respeito em relação a quem está na fila aguardando sua vez, tanto por parte de quem convida para aproveitar a vaga passando na frente dos outros, como da parte de quem aceita “cair de paraquedas” na frente dos demais. 
 
6 – Esses comportamentos indesejáveis só vão diminuir à medida que cada um exercer seu direito de cidadão e reclamar, com educação, quando alguém “furar” a fila. 
 
7 – Também é inadmissível quando um caixa presencia que a fila foi “furada” e ainda assim atende o espertalhão. Nesse caso, vale a pena apresentar queixa ao superior do caixa que desrespeitou o direito de quem estava na fila. 
 
8 – Por outro lado, cabe à gerência dos estabelecimentos sinalizar adequadamente o atendimento preferencial e estabelecer políticas claras de não atendimento aos “furões”.

*  Texto publicado no blog do autor (http://williamfiqueatento.blogspot.com.br/2013/04/seja-elegante-e-nao-fure-fila.html), em 20/04/13, cedido ao Letras & e-Artes em 26/08/14.

A polêmica das torcidas organizadas - Em 11/08/2014

Maurício Murad, sociólogo da UERJ e professor titular
do mestrado da Universo



POR QUE NÃO ACABAR COM AS TORCIDAS ORGANIZADAS?


1) PORQUE OS VÂNDALOS SÃO MINORIAS DENTRO DAS ORGANIZADAS. ENTRE 5% E 7% DOS INTEGRANTES DAS ORGANIZADAS É QUE SE ENVOLVEM EM ATOS DE VANDALISMO, AGRESSIVIDADE E VIOLÊNCIA, DE ACORDO COM AS PESQUISAS QUE COORDENO, DESDE 1990, PRIMEIRAMENTE NA UERJ E AGORA NO MESTRADO DA UNIVERSO;

2) NÃO ADIANTA, PORQUE ELAS NÃO ACABAM DE FATO, RETORNAM COM OS MESMOS DIRIGENTES, ENDEREÇO, SÍMBOLOS. SÓ MUDAM MESMO O NOME, COMO FOI O CASO DA “MANCHA VERDE”, DO PALMEIRAS, PARA “MANCHA ALVIVERDE”. E ISSO, CLARO, É UMA DESMORALIZAÇÃO DAS AUTORIDADES, DA POLÍCIA E DA JUSTIÇA;

3) TENTAR ACABAR É EMPURRAR PARA A MARGINALIDADE UM IMENSO COLETIVO E AÍ É QUE FICA MESMO DIFÍCIL ACOMPANHAR, MONITORAR, CONTROLAR E PUNIR EM CASO DE TRANSGRESSÃO;

4) AS FORÇAS PÚBLICAS DE SEGURANÇA TÊM A OBRIGAÇÃO CONSTITUCIONAL DE GARANTIR A ORDEM E A SEGURANÇA, PRENDENDO E PUNINDO (DE ACORDO COM A LEI E A SEGURANÇA JURÍDICA DO PAÍS) OS DELITUOSOS. NÃO SE PODE PUNIR O "TODO" POR AÇÕES DE "PARTES" DESSE TODO;

5) QUANDO, POR EXEMPLO, UM PARLAMENTAR (OU UM POLICIAL) É FLAGRADO EM DELITO, QUEM É PUNIDO, ELE, O PARTIDO A QUE PERTENCE OU O PRÓPRIO PARLAMENTO? QUANDO É PUNIDO (REPITO: QUANDO É PUNIDO), É ELE, SOMENTE ELE;

6) SE PEGASSE ESSA MODA, NO BRASIL, DE ACABAR COM A INSTITUIÇÃO, EM DECORRÊNCIA DO COMPORTAMENTO ILEGAL DE MEMBROS DESSA INSTITUIÇÃO, COMO FICARIAM O CONGRESSO, A JUSTIÇA, A SAÚDE, A POLÍCIA, A EDUCAÇÃO, EM NOSSO PAÍS? E ESSAS SÃO INSTITUIÇÕES ESSENCIAIS AO BOM FUNCIONAMENTO COLETIVO DE UMA ESTRUTURA SOCIAL. QUANDO NÃO ANDAM BEM, É PRECISO SIM REAVALIAR, INVESTIGAR E PUNIR OS AUTORES DE SEUS DESCAMINHOS, MAS NÃO ACABAR COM ELAS;

7) NUMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA E DE DIREITO, COMO A NOSSA (ESTÁ CONSAGRADO EM NOSSA CONSTITUIÇÃO), TODOS TÊM QUE SEGUIR A LEI E OS QUE A TRANSGREDIREM, DEVERÃO SER PUNIDOS; ELES, E NÃO AS ENTIDADES ÀS QUAIS PERTENCEM;

8) AS TORCIDAS ORGANIZADAS FAZEM PARTE DO ESPETÁCULO E DO PATRIMÔNIO CULTURAL DO FUTEBOL; COREOGRÁFICAS, ALEGÓRICAS, MAS PACÍFICAS E ORDEIRAS, DENTRO DAS REGRAS E NORMAS LEGAIS DE UMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA.

          Sobre este assunto, leia ainda o artigo Que legado?, de autoria do Prof. Maurício Murad, em http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,que-legado,1537636. 


O Letras & e-Artes é show de bola!

Palavra de fã - Em 04/08/14

  
Palavra de fã
Marcelo Ferreira de Menezes
(Professor da EEAR e coordenador do Letras & e-Artes)

Quando nos propusemos a relatar no site do Letras & e-Artes um pouco da vida de Wilson Vianna e de rememorar seu inesquecível personagem, em nenhum momento tivemos como objetivo elevá-lo ao panteão dos mitos; não. Mesmo porque sua extraordinária trajetória de vida e artística já são bastante eloquentes e suficientemente recheadas de lances de verdadeira intensidade e iniciativas ousadas, dispensando-nos de qualquer trabalho na afixação de inúteis adornos, o que resultaria perigosamente em algo nada além de fantasioso, naquilo que essa palavra pode remeter apenas ao ridículo.
 
A tarefa confessadamente me emocionou em diversos momentos, já que também fiz parte dos milhões de crianças que acompanharam O Clube do Capitão Aza; fui seu fã. Particularmente, durante o processo de pesquisa e de redação, entre um vídeo e outro do antigo programa, ouvindo a música Sideral, que há anos não ouvia, mas que ecoou por todos esses anos em minha mente, ou na busca de ideias para desenvolver os parágrafos, experimentei momentos de boa nostalgia, que evocavam cenas de minha infância, do bairro onde vivi e das pessoas que conheci naquela época.

Emoção que se fez mais forte muitas vezes pelo fato de ter sido amigo de Eduardo Vianna, o Dudu, ou Azinha (como o chamávamos), filho de Wilson, no início dos anos 1980, pouco tempo depois do fim do programa, e a quem, de certa maneira, esta homenagem também se destina. Morávamos no mesmo prédio, numa rua do Flamengo, no Rio de Janeiro. E isso me deu a oportunidade de ver algumas vezes de perto aquele que havia sido meu ídolo. De modo estranho, desfalcado da indumentária do personagem, eu não o via mais como um ídolo, mas apenas como pai de um amigo meu, o que não diminuía meu assombro e meu acanhamento quando em sua presença. Infelizmente, Dudu faleceu em 2007, em decorrência de um acidente de moto, no Túnel Zuzu Angel, também no Rio.

Apesar de essa emoção ter estado presente o tempo todo e de, em um momento ou outro, ela ter podido migrar para o texto, temos consciência de que Wilson Vianna não poderia ter sido nada além do que realmente foi: um ator, um profissional, um homem, com limitações, com deslizes e acertos e, como qualquer outro, condicionado inevitavelmente aos temperos de sua idiossincrasia.

Indiscutivelmente, o Clube do Capitão Aza, como atração de mídia que era, foi meramente um produto comercial que deu certo, e somente se manteve no ar enquanto os interesses mercadológicos dos patrocinadores estavam sendo atendidos. Mas o marketing eletrônico ainda dava seus primeiros passos, não havia se convertido no dragão voraz de hoje, a única voz a ser ouvida nas decisões que norteiam as produções artísticas atuais da televisão ou de qualquer outro empreendimento artístico de massa. Isso, aliado a um momento em que nos restavam ainda como povo um pouco de inocência e consideração aos valores humanos, talvez possa ser apontado como um dos fatores para o programa hoje ser visto como um marco, cujo diferencial maior sem dúvida foi ter sabido retribuir a audiência com atos pautados em responsabilidade social; se o público trazia as cifras de um lado, de outro era gratificado com atenção e respeito incontestáveis.

E, se é verdade que Wilson Vianna não passava de um ator, sem grandes dons e qualidades expressivas, diga-se, que o ombreassem com os mais altos talentos de sua época, não é menos verdade que sua figura e seu profissionalismo foram decisivos para a imortalidade do Capitão Aza. Em muitos aspectos, sua história de vida se confunde com as sugestões que ajudaram a compor o personagem e lhe deram sustentação, indicando ter sido ele a pessoa certa para aquele papel, tornando indissociáveis o homem e a figura fictícia que representou por tanto tempo. Nada ilustra isso melhor do que um fato ocorrido anos após o fim do Clube do Capitão Aza. Ao interpretar na TV Manchete, na minissérie A Marquesa de Santos, um personagem, outra vez um capitão, de características, digamos, menos ortodoxas para os padrões da época e completamente opostas às do Capitão que lhe deu fama, Wilson levou uma "guardachuvada" no ombro, na fila de um banco, dada por uma senhora, indignada por ele ter "se prestado a fazer tal papel". Wilson respondeu com simpatia à situação, esclarecendo que era ator e que fizera somente o que o diretor mandara.

Alguns mais ácidos poderão até expressar a opinião de que ele não era nada mais que um clown, vestido com macacão aeronáutico e capacete, esquecendo-se confortavelmente de que são os palhaços os responsáveis por nos lembrar sempre de que o sucesso, seja em qual área for, é sempre árido, solitário e incompleto na falta de seu principal ingrediente: a alegria.

E, já que falamos de sucesso, não custa lembrar que, diferentemente de hoje em dia, em que o grau de notoriedade é medido pelo termômetro dos escândalos e pessoas ineptas, da noite para o dia, viram celebridades, com cândidos gestos de total imbecilidade, o fato de Wilson ter sabido construir sua carreira por seus esforços no trabalho, conforme pôde ser visto, e manter seu nome absolutamente íntegro, longe de qualquer atitude que pusesse em dúvida seu caráter e a imagem construída ao longo dos anos de exposição pública, é no mínimo louvável e digno de toda a admiração.

Hoje, cercados de artefatos de última geração por todos os lados, vivendo uma democracia a pleno vapor e gozando em média de uma condição econômica mais confortável, nitidamente respiramos, apesar de tudo, uma atmosfera mais densa, fria, embrutecida, sem espaços para sonhos que não venham de fontes sintéticas ou lisérgicas. A truculência ganhou status de lei, o chumbo nos alcança vindo de todas as direções e, de forma perdida ou não, fatal ou não, sempre vitima. Diferentemente daqueles anos historicamente cinzentos em que o programa foi ao ar, não é mais possível distinguir, num mar de rostos todos iguais, quem é herói e quem é vilão.

Na falta de exemplos a serem seguidos, as novas gerações desconhecem o sinal de paz e amor feito com os dois dedos da mão em v e, em seu lugar, criam novos e estranhos sinais que não raro expressam arrogância e autossuficiência socialmente perigosas e, por fim, autodestrutivas. Isso quando não exibem as palmas das mãos sujas de uma mistura perturbadora e explosiva de pólvora e sangue, o que tem sido, cada vez mais, frequente. A inocência, banida, e sem volta, pelo erotismo não somente precoce mas ditatorial nos indivíduos, não tem mais vez, e o tecnicismo para a vida adulta invade a mais trivial das brincadeiras, antes experimentada pelo simples fato de ser apenas isto: brincadeira. Em um mundo menos humano, das relações envenenadas pelo cinismo e pela competitividade astuta, em que os próprios pais se tornam algozes dos filhos, um Capitão Aza é tão somente uma impossibilidade e um eco longínquo partido de alguma dimensão temporal para sempre perdida, ou pelo menos assim querem que acreditemos.

Por isso, o Letras trouxe a bordo a história de Wilson Vianna, para nós e para seus inúmeros fãs o eterno Capitão Aza, a quem, com satisfação e sem qualquer temor de sorrisinhos sarcásticos, devemos alguns bons tijolos do alicerce de nosso caráter. A memória é fraca mesmo, nem há porquê em se atribuir essa falha somente a nós brasileiros. Assim, como educadores e coordenadores deste projeto, acreditamos que seja também nosso dever contribuir de alguma forma para que a notícia de bons exemplos não se esvaia assim tão facilmente. De alguma forma, sempre nos resta a esperança de dias melhores e de que, conforme o exemplo dado por qualquer história de super-herói, o bem enfim vença o mal, não é mesmo?

... Alô, alô, Sumaré! Alô, alô, Embratel! Alô, alô, Intelsat 3! Alô, alô, Capitão Aza, Comandante e chefe das Forças Armadas infantis deste Brasil! Onde quer que você se encontre, muito obrigado! E prossiga cantando sua canção de amor e a paz! Roger!


Ruth Guimarães na visão de Gabriel Chalita

Gabriel Chalita
Nascido em 30 de abril de 1969, em Cachoeira Paulista (SP), Gabriel Chalita revelou-se escritor já aos 12 anos, quando publicou seu primeiro livro. Hoje, tem uma obra composta por mais de 60 títulos. Doutor em Filosofia do Direito e em Comunicação e Semiótica, deu início à carreira política aos 19 anos, como vereador e presidente da Câmara Municipal de Cachoeira Paulista. Exerceu os cargos de secretário da Juventude, Esporte e Lazer e de secretário da Educação do Estado de São Paulo; neste último, instituiu os Programas Escola da Família, Escola de Tempo Integral e Caminho das Artes. Foi também presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), por dois mandatos, e vereador da cidade de São Paulo. Atualmente, é deputado federal pelo PMDB–SP – eleito com mais de meio milhão de votos –, professor da PUC–SP, da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Complexo Educacional FMU, membro da Academia Brasileira de Educação e da Academia Paulista de Letras e palestrante.




Ruth Guimarães, a fada da literatura
Por Gabriel Chalita (Jornal das Letras) 

O Vale do Paraíba celebra insuficientemente os seus representantes da literatura. Com algumas exceções, como a inovadora disciplina de Literatura Valeparaibana, criada pelo professor José Luiz Pasin, em Guaratinguetá, e como as honestas iniciativas da Fundação Cultural Cassiano Ricardo de São José dos Campos, os alunos do Vale do Paraíba pouco sabem dos seus escritores.
        
O justo destaque dado a Monteiro Lobato deixa a impressão injusta de que o taubateano foi o único escritor do Vale do Paraíba. Merecem pouco espaço, até da imprensa regional, o lorenense Péricles Eugênio da Silva Ramos, o joseense Cassiano Ricardo e os cachoeirenses Valdomiro Silveira e Ruth Guimarães.

E é de Ruth que quero falar. A fada da literatura. Quem disse isto foi Guimarães Rosa, em dedicatória que fez a ela, num exemplar de “Corpo de Baile”, quando os dois eram mocinhos, ambos escritores iniciantes, e repartiam uma noitada de autógrafos com Lygia Fagundes Telles e Amadeu Amaral. A dedicatória é assim: “A Ruth Guimarães, minha irmã, parenta minha, que escreve como uma fada escreveria.” 

Por essa época, Ruth era muito moça, muito pobre, muito magra, e muito míope, como ela mesma se definia. Trabalhava em dois empregos para criar quatro irmãos menores: datilógrafa à tarde, revisora da Editora Cultrix à noite. De manhã cursava Letras Clássicas na USP. Hoje, aposentada de 35 anos de aulas de português, grego e latim, não abandonou a máquina de escrever. Produz crônicas semanais para o jornal ValeParaibano, traduz obras do francês e do latim. Escreve duas horas por dia, como mandou o seu mestre Mário de Andrade, com quem aprendeu folclore, e sob cuja orientação escreveu “Filhos do Medo”, uma pesquisa sobre o diabo na mitologia valeparaibana.
 
Ruth nasceu em junho, “junho das noites claras, de céu nítido”, na minha Cachoeira Paulista, no Santo Antonio de 1920.
 
“Eu quisera escrever em tons suaves, em meios tons que sugerissem preces.” É trecho de um de seus poemas, ainda inéditos.
Conhecia-a quando eu não passava dos 13 anos, e ia à sua chácara, plantada à beira do Rio Paraíba, buscar inspiração na sua sabedoria. Quantos textos não levei para ela avaliar e criticar. Era e é severa. Rabisca, em nome da velha amizade, textos meus, até hoje. E cada traço só faz melhorar o escrito.
 
Em um de seus livros (“Contos de cidadezinha”), escreveu: “Viu as mãos ávidas de Teresa desfazerem o embrulho, viu o porta-jóias de porcelana azul surgir à luz com alguma coisa de deliqüescente e maculado. Nunca havia notado aquilo que somente as mãos trementes da mulher acusavam. Ah! As mãos de Teresa.” Fala, nesse conto, das mãos de Teresa, mas são as suas que não deixam de produzir páginas e páginas de bela literatura.
 
Como esta, no romance “Água Funda”: “A gente passa nesta vida, como canoa em água funda. Passa. A água bole um pouco. E depois não fica mais nada. E quando alguém mexe com varejão no lodo e turva a correnteza, isso também não tem importância. Água vem, água vai, fica tudo no mesmo outra vez.” 
Ou, como esta, no conto “Francisco de Angola”: “Depois, os dois trabalharam por mais três. E cinco por mais três. E oito por mais cinco, e todos por todos, até que toda a tribo foi alforriada. Livres! Que língua, que pena, que pincel, poderá dar uma idéia de quanto ressoa essa palavra no coração dos escravos?”
 
Mas também escreve para crianças. Tem um lindo compêndio chamado “Lendas e Fábulas do Brasil”, com uma linguagem gostosa e cristalina.
 
Ruth Guimarães está lançando mais um livro, no final deste mês de setembro. Mais um, que vai somar 52 publicados. Este “Calidoscópio” é um monumental tratado sobre Pedro Malasartes, o pícaro, o malandro, o nosso herói folclórico sem nenhum caráter. Um trabalho de fôlego que qualquer faculdade de antropologia e de sociologia de primeira linha deveria adotar.
 
Minha recomendação é esta: leiam Ruth Guimarães, conheçam Ruth Guimarães, ouçam Ruth Guimarães. Ela já contou – e ainda tem muito a contar – sobre o Vale do Paraíba, suas cidades e tipicidades. Sua literatura é nítida, como as noites de junho em Cachoeira Paulista. E ela é uma fada. Uma fada que nestas breves linhas eu quero homenagear.

A intolerância religiosa sob o olhar agudo do Deputado Átila Nunes (Em 17/10/12)


Átila Nunes, 63 anos, é o deputado estadual com maior número de mandatos do país (11), sendo sempre reconduzido pelos umbandistas do Rio de Janeiro. Advogado e jornalista profissional, Átila produz e apresenta vários programas de rádio que são reproduzidos por todo o país, entre eles o Programa Melodias de Terreiro, transmitido diariamente pela Rádio Bandeirantes AM 1360(RJ), podendo ser ouvido pela internet (www.radiomelodiasdeterreiro.com.br). O programa Melodias de Terreiro é o segundo mais antigo programa do Rádio Brasileiro, depois de "A Voz do Brasil". Sua família (avô, pais e filhos) se destaca pelo combate à intolerância religiosa. Nas últimas eleições, seu filho Átila Alexandre Nunes foi eleito vereador pela cidade do Rio de Janeiro.

Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual.
Somos seres espirituais vivenciando uma experiência humana.

O ambiente ideal para o fanatismo religioso é onde existe uma população com altos índices de pouca cultura e de poucos recursos.
O alvo do fanatismo no Brasil não é apenas a grande parcela da população que acredita na reencarnação e na comunicação com os desencarnados, como os espíritas e umbandistas. O alvo é também todo aquele que não compartilha do que crê o fanático, sempre convicto de que conhece mais o outro mundo do que este.
O fanatismo sobrevive aos séculos. Em nome de uma utopia teológica, religiosos se afastam do restante da sociedade e declaram guerra aos que se recusam a segui-los em seu sonho (ou pesadelo) religioso insano. É o caso do Brasil, onde membros de seitas eletrônicas escolheram como alvos principais espíritas, umbandistas, os cultos afros e até católicos (quem não se lembra das cenas de um "bispo" chutando a imagem de uma santa na TV?).
Os conflitos são inevitáveis. Em alguns países, quando o Estado passa a ser uma extensão desses movimentos fanáticos, resultam invariavelmente em genocídios. Como explicar que, em pleno século 21, uma era de progresso tecnológico e de avançada inteligência, podem sobreviver seitas de fanáticos que descarregam tanto ódio contra os que não acompanham seus pensamentos? O que causa tamanha intolerância em relação ao restante da sociedade que se recusa a crer no que creem?
Se compararmos o fanatismo medieval que levou milhares às fogueiras da Inquisição com os tempos de hoje, observamos que a diferença é que aqueles só reagiam com violência quando provocados. Já as seitas de fanáticos contemporâneos agridem, sem serem agredidos.
São poucas as diferenças entre os fanáticos dos outros países com os daqui do Brasil. Quando criminosos travestidos de fiéis, carregando armas com adesivos "Deus é fiel", ameaçam diretores de centros umbandistas das favelas, isso é fanatismo.
Quando esses mesmos bandidos se autointitulam cristãos, perseguem moradores nas vielas das comunidades, porque estes usam fitinhas do Senhor do Bonfim amarradas ao pulso, estamos diante de uma milícia religiosa, semelhante às do Afeganistão que caçam e chicoteiam os que não comungam nos princípios do islamismo. Quando esses fanáticos invadem centros umbandistas, destruindo imagens e demais símbolos religiosos, repete-se o fenômeno da "cristofobia" que se irradia no Oriente Médio, onde cristãos (os verdadeiros) têm suas igrejas destruídas.
O que ocorre hoje no Rio de Janeiro (e em outras capitais) é a exaltação de grupos de fanáticos, que, por ignorância, por dinheiro - ou ambos –, professam ações violentas contra outros cidadãos, retirando-lhes o direito sagrado da liberdade de pensamento e, às vezes, de sua integridade física.
Seu fundamentalismo tem como pilares a intolerância e a fé insana da verdade única, a deles, que consideram incontestável. O resultado é óbvio: sucedem-se queixas de espíritas, umbandistas, candomblecistas, católicos e até, pasmem, evangélicos – os verdadeiros –, cansados dessas ações intolerantes que denigrem os princípios cristãos.
Não se trata mais de uma simples questão religiosa. É uma questão com reflexos profundos na liberdade dos cidadãos brasileiros.
Pregadores fanáticos estão convictos de que conhecem mais o outro mundo do que este. Todos os demais, para eles, são hereges, amaldiçoando-os para que ardam na fogueira.
Mas hereges de fato são os que acendem a fogueira. Religiosos preconceituosos são todos iguais.


"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar..." Martin Niemöller, 1933




PROGRAMA MELODIAS DE TERREIRO - RÁDIO BANDEIRANTES AM 1360
Com Átila Nunes e Átila Alexandre Nunes
De segunda à sexta-feira entre 23h e 24h
www.radiomelodiasdeterreiro.com.br (24h no ar) – Reprises: 10h, 14h e 18h
Central 24h: (021) 2461-0055
+ Twitter: defesaumbanda
+ Youtube: emdefesadaumbanda

PROGRAMA RECLAMAR ADIANTA - RÁDIO BANDEIRANTES AM 1360 (RJ)
De 2a à 6a feira, das 10h ao meio dia.
Ouça também pela internet:
Converse conosco:
+ Telefone: (021) 3282-5588
+ TWITTER: defesaconsumo
www.emdefesadoconsumidor.com.br (serviço 100% gratuito)

PROGRAMA PAPO MADURO - RÁDIO BANDEIRANTES AM 1360 (RJ)
De 2a à 6a feira, ao meio dia. Ouça pela internet: www.papomaduro.com.br
E-mail: ouvinte@papomaduro.com.br. Central telefônica: (021) 3282-5144



O charme da notícia (Em 03/10/2012)


Foto: João Athaíde












Michelle Sampaio - Editora e apresentadora da Rede Vanguarda, afiliada da Rede Globo






Você escreve bem?


      Não é fácil escrever bem! E sei que muita gente concorda com a minha afirmação. Porém, é possível escrever cada vez melhor. Mas como? A resposta é treinar e principalmente ler. Quem lê, melhora a escrita e o conhecimento. E só quem exercita, progride. Ah, me esqueci da paciência, porque ninguém passa a escrever bem do dia pra noite.
        No jornalismo é assim também. Quando leio alguns textos que fiz na época da faculdade, há mais de dez anos, ou até mesmo no início de carreira, chego a rir e a me envergonhar. Penso como eu era infantil e repetitiva. Mas hoje sei muito bem da importância desses textos para o meu progresso profissional. Desde então, venho exercitando sem parar. Todos os dias, leio e escrevo. Leio notícias, fofocas, blogs, de tudo um pouquinho. E claro, escrevo.
       Como jornalista de televisão, tenho sempre um desafio: escrever de forma clara, objetiva e interessante para o telespectador. Tenho que lembrar sempre que não estou escrevendo para mim, mas para milhares de telespectadores. Uma responsabilidade enorme mas apaixonante. E você acha que, há quase dez anos como editora e apresentadora da maior emissora da região, estou satisfeita, que acho que escrevo bem? Não, não e não! Acredite. Chego a pensar que podia ter nascido com o talento do Arnaldo Jabor para escrever crônicas para televisão ou até mesmo do repórter Pedro Bassan, da Rede Globo, para fazer excelentes reportagens. Mas, mesmo sem ter talento nato, acredito na fórmula treino—leitura. E é nela que invisto! Acho que é a melhor aposta para quem quer escrever cada vez melhor.
       Então, boa leitura, exercite a escrita sem medo e uma ótima redação para você! Quem sabe o seu texto, seu blog ou até seu livro possam ser a minha próxima leitura?!?!?!


No seu dia, Robson Carpenter inaugura coluna "Mandando uma Letr@" (01/09/12, Dia do Professor de Educação Fisica)

Professor Robson Carpenter
Formado em Educação Física, Pós-Graduado em Condicionamento Físico para Grupos Especiais e Reabilitação Cardíaca. Consultor de exercício e saúde da TV Vanguarda, Apresentador do Programa Trilhas da Saúde no site Vnews, Apresentador do Minuto Saúde (TV Vanguarda), Coordenador do Condicionamento Físico Cardiotraining, Projeto Zerbini e Saúde do Trabalhador (UNESP- Guaratinguetá). Personal Trainer e socorrista de corridas de rua.


Como envelhecer saudavelmente

          Você já deve ter se deparado com uma pessoa de mais idade correndo perto de você no parque ou na praia bem no momento em que está caminhando ofegante e cansado. Daí vem a pergunta: "Por que ele está tão bem-preparado, sendo que tem idade para ser meu avô?".
          Na infância, somos bem-alongados e flexíveis, por isso as crianças colocam a cabeça no joelho quando estão sentadas, com facilidade. Se continuarmos alongando desde a infância, manteremos o alongamento e a flexibilidade por toda a vida. Mas, se você está mantendo uma vida sedentária, não se preocupe, nunca é tarde para começar!
          Se você começar a estimular seu corpo, ele irá responder. Dia a dia, seu organismo vai se adaptando, não tenha pressa. A preparação física se ganha com o tempo; mantendo uma rotina de exercícios, você irá se condicionar e poderá até acompanhar aquele senhor que passou correndo por você!
          Nosso corpo é como uma máquina: se parar de funcionar, de se movimentar, emperra e enferruja, aí vêm as complicações… como a osteoporose, artrose, doenças relacionadas ao sobrepeso como hipertensão, diabetes, colesterol alto, etc. Uma recente pesquisa feita na Europa mostrou que, se mantivermos uma vida saudável, incluindo boa alimentação e atividades físicas, ganhamos em até quatorze anos a mais de vida! E o mais importante, uma vida com mais alegria e disposição.
          Não fique sentado o dia inteiro. Com apenas quarenta minutos diários de exercícios, você mudará sua qualidade de vida.

          Vamos lá! Mexa-se!